VULTOS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO CLUBE

Nossa entidade foi fundada em 16 de julho de 1857 e quando se fala de sua importante e tradicional história, é comum serem citados nomes de importantes e inesquecíveis presidentes que obtiveram destaque, especialmente pela relevância de suas administrações, ou por algum, ou alguns de seus marcantes feitos, porém, além desses abnegados, também costumam ser entusiasticamente lembrados, outros consócios, que pela estremada devoção ao longo dos anos e pelas virtuosas, importantes e inolvidáveis  atuações em prol do     C. S. C. A.  se constituíram em dirigentes exemplares, tornando-se vultos proeminentes e importantes de nossa pujante existência, que jamais poderão ser esquecidos.

Assim, nessa trajetória secular, de forma indelével e exemplar, destacaram-se sobremodo, por suas influentes e construtivas realizações e passaram a fazer parte dos nossos anais, sociais, culturais e citadinos, obtendo merecido e significativo reconhecimento de nossa associação –e também da cidade- os prestantes e antigos consócios, RAPHAEL DE ABREU SAMPAIO, CUSTÓDIO MANUEL ALVES, RAUL CELESTINO DE TOLEDO SOARES e OCTÁVIO BALDO, cujas performances, orgulhosamente, cumpre-nos, algumas delas a seguir relatar:

 

RAPHAEL DE ABREU SAMPAIO

 

Na constituição da primeira diretoria, tornou-se vice-presidente da associação, pois considerou e propôs que Bento Quirino sendo o mais jovem e maior entusiasta das reuniões, deveria ser investido no cargo de presidente. Esses dois principais mandatários permaneceram juntos na direção da entidade, nos cargos por eles assumidos -presidente e vice-presidente- por quarenta e três anos consecutivos, uma vez que se afastou em 1895.

Em absoluta consonância empreenderam neste intenso período, e posteriormente, grandes causas em prol do clube, da cidade e do país, especialmente na década em que a pirexia -febre amarela- assolou e quase dizimou Campinas, quando dirigiram, coordenaram e custearam a maior parte da defesa contra essa terrível epidemia, e nas legendárias e importantíssimas decisões da região em prol da Libertação da Escravatura e da Proclamação da República, quando exerceram profícua abnegação e inesquecível proficiência, importantes e destemidos atos liderando o Partido Republicano, responsável pelas idéias e propagações opostas à Monarquia.

Por muitos anos, efetuaram constantes donativos financeiros, que possibilitaram nossa entidade, bem como inúmeras outras -também fundadas por eles- destinadas à beneficência municipal, (hospitais, creches para mães pobres, orfanatos, asilos e maternidade), permanecerem décadas em pleno funcionamento, oferecendo prestimosos serviços à comunidade, algumas se mantendo em atividade até nossos dias.

A união e entendimento entre esses abnegados e inesquecíveis dirigentes foram intensos, e durante o longo período que exerceram seus cargos, apenas nas ausências verificadas por doença ou viagens de Bento Quirino –que no século retrasado eram muito demoradas- é que assumiu a presidência, e sempre soube administrar de forma serena, em absoluta consonância e acerto.

Fez inaugurar em 25 de setembro de 1879, o bonde de burros, através da Companhia Campineira Carril de Ferro, quando às 16 horas, com banda de música e intenso foguetório, foi servido aos convidados um copo d’água, que quando levados ao ar pelo também associado e prefeito Francisco Glicério e pelos presentes, lhe foi oferecido um brinde com as palavras: -“ao fundador e à cidade”-

Em 1º de janeiro de 1873, ocasião em que recebeu seu Título de Sócio Honorário, “pelos grandes serviços prestados  em prol desta Casa de cultura e arte, e a Campinas”, quando foi honrosamente saudado por seu grande amigo e associado, o destacado advogado campineiro, então vereador e que em 1898, tornar-se-ia o quarto Presidente da República, Manuel Ferraz de Campos Salles.

Por décadas se constituiu num dos principais mentores de nossa associação, e do Partido Republicano, obtendo grande reconhecimento dos campineiros, que por suas destacadas realizações lhe tributaram significativas homenagens em seu tempo, e ainda o lembraram no início do século passado, quando a Câmara Municipal outorgou seu nome a uma das importantes vias públicas desta cidade.

Em seus momentos de lazer destacou-se como músico, participando da Banda Filorfeônica Campineira, dirigida pelo maestro e compositor campineiro, José Pedro Sant’Ana Gomes.

Sentindo-se idoso e debilitado, após inigualável e exemplar permanência ininterrupta por trinta e oito anos na vice-presidência, dela se afastou em 1895, e transmitiu seu cargo, oferecendo irrestrito apoio àquele, que a partir de janeiro de 1900, seria o segundo presidente de nossa história, ao já então proeminente associado e grande líder do Partido Republicano Paulista, Antônio Álvarez Lôbbo.

O quadro a óleo que destaca esse principal e memorável vice-presidente da história da entidade, descerrado em 1873, encontra-se em perfeito estado de conservação e exposto à visitação associada no Salão Nobre da Sede Social.

 

CUSTÓDIO MANUEL ALVES

Trata-se de outro importante vulto da história de nossa agremiação, cabendo lembrar, que embora tenha sido um dos seus três fundadores, jamais pretendeu ser um dos nossos presidentes, apesar de ter oferecido absoluta e irrestrita colaboração ao clube até seus últimos dias de vida.

Na oportunidade, após a benção inaugural do edifício Custódio Manuel Alves, Bento Quirino e Raphael de Abreu Sampaio, foram agraciados individualmente com o título de Sócio Honorário, por haverem sido fundadores da entidade, e responsáveis pela obra inaugurada, quando fazendo uso da palavra o imortal campineiro e associado, Dr. Manuel Ferraz de Campos Salles –então presidente do Estado de São Paulo, e que em 1898 passaria a ser o quarto futuro presidente do Brasil- como orador eloqüente, enalteceu o exemplo fecundo, o poder da vontade desses três cidadãos coadjuvados pelos consócios e o gigantesco espírito realizador de uma associação, que se tornara modelo e exemplo de outras tantas surgindo no país…

Prestou por longos anos, relevantes serviços a Campinas nas diretorias da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, da Cia. de Iluminação a Gás –ambas sob presidência de Bento Quirino- do Ramal Férreo Campineiro e do Teatro São Carlos. Elaborou, organizou e confeccionou nos idos de 1840, a primeira planta topográfica da cidade, aliada a importante trabalho sobre a gênese de suas ruas, praças e logradouros, e edifícios, embasados por anotações de grande valia.

Destacou-se -após a fundação do Clube Semanal- com outros associados, participando da Banda Filorfeônica Campineira, onde também atuavam, seus amigos e diretores Bento Quirino e Raphael Sampaio, sob direção do insigne maestro e compositor campineiro, José Pedro Sant’ Ana Gomes.

Durante toda sua existência, freqüentou com muito amor a primeira sede onde a sociedade esteve instalada, mantendo estreita amizade com muitos dos consócios que altamente o consideraram e o admiraram, por sua enorme competência e habilidade no trato e nas coisas pertinentes ao clube, fato que motivou após seu falecimento, ocorrido em 1904, nas concorridas exéquias que o destacaram, e que a sede da entidade que ele com muito orgulho auxiliara a construir, situada na Rua Barreto Leme esquina com Regente Feijó, tenha respeitosa e condignamente resguardado considerável  e integral luto  em  suas  dependências.

Em 27 de dezembro de 1937, o então Prefeito Municipal desta cidade Euclides Vieira, freqüentador assíduo do Velho Cultura, e ex- vice-presidente do clube, usando das atribuições de seu cargo, tendo em vista as sugestões apresentadas pela Sociedade Amigos da Cidade, pelo Centro de Ciências, Letras e Artes, e outras entidades locais, deliberou denominar Custódio Manuel Alves a uma das ruas do bairro Bonfim, “pela sua importante participação e contribuição ao longo dos anos em prol de Campinas e de seus habitantes”.

O seu retrato a óleo executado pelo artista plástico campineiro Sebastião Guimarães, foi entronizado em 28 de Julho de 1982 no Salão Nobre da Sede Social, durante gestão do ex-presidente Décio Rovere, ocasião em que vários de seus descendentes, orgulhosamente se fizeram presentes com muitos membros do quadro associativo no descerramento desta aguardada meritória homenagem.

Na oportunidade, seus bisnetos Rubens Duarte Segurado e Milton Duarte Segurado, eminentes cidadãos campineiros, agradeceram as honrosas manifestações de reconhecimento externadas ao prestante e emérito fundador, quando o segundo, com muita eloqüência e erudição, discorreu sobre a atuação desse venerável culturista em favor da associação e da cidade, inclusive destacando memoráveis e imperecíveis atos históricos anti-escravagistas, ocorridos durante o vergonhoso período em que Campinas era tida como a “Bastilha Brasileira”, além de inúmeros outros, favoráveis ao republicanismo, desenvolvidos por ele, por Bento Quirino, Raphael Sampaio e inúmeros membros da associação no século retrasado, que marcaram profundamente a história campineira nestes importantes capítulos da história nacional.

Foi casado com Da. Januária Alves Pinto Duarte, de cujo consórcio deixou quatro filhos: Maria, Hercilla, Anna e Sílvio, tendo a primeira delas, contraído núpcias em 27 de julho de 1895, com o terceiro presidente de nossa associação, eleito pela primeira vez em 1918, o honorável campineiro Raphael de Andrade Duarte, posteriormente, também prefeito da municipalidade várias vezes.

Nascido nesta cidade, em 04 de março de 1835, aqui também faleceu, em 29 de janeiro de 1904, tendo sido considerado um dos mais importantes cidadãos campineiros.

RAUL  CELESTINO  DE TOLEDO  SOARES

Após seu falecimento foi agraciado com o importantíssimo título de “Presidente de Honra”, pela quarta vez, expedido e outorgado na história do clube.

Descendente de tradicional família campineira, cujos membros se destacaram como fundadores e diretores, neto do venerável consócio, Sr. Joaquim Celestino de Abreu Soares “Barão de Paranapanema”, eminente político eleito vereador em 1873, nascido nesta cidade, aos 21 de novembro de 1909.
Conheceu as duas primeiras sedes e até as freqüentou quando criança, porém, já jovem, ao clube transferir-se em 1926, para o “Velho Cultura” da Rua Barão de Jaguara esquina com General Osório, passou a freqüentá-lo intensamente e a se destacar pelo enorme interesse que devotava às coisas da entidade.

Pelas suas constantes e enormes colaborações, e total envolvimento nas festividades e administrações, passou a atuar oficialmente com grande destaque e desenvoltura na Diretoria Executiva de 1947, presidida por Avelino Valente do Couto, como primeiro secretário, cargo esse na época, que mais exigia a constante convivência, introdução e relacionamento com os componentes do quadro associativo.

Em razão desse mencionado presidente não pretender reeleição, o nome de Raúl Celestino, pela sua considerada descendência, esmerada atuação, enorme evidência e penetração junto ao quadro social, e principalmente pelo excelente convívio com os principais líderes da época passou a ser cotado, para presidir futuras administrações.

Sabido é sobejamente, que antes de 1953  – para as eleições ocorridas em janeiro de 1954 – jamais existira manifestação adversa ou opositora oficial aos nomes indicados pelas ex-diretorias para presidirem a agremiação, especialmente pelo enorme respeito existente para com os diretores, a situação se compunha sucessivamente em ampla gerontocracia e harmonia.

Assim, para o ano seguinte, 1948, por possuir mais anos de dedicação e ser mais idoso, o indicado para a presidência foi Alberto Pinto de Carvalho; para 1949, sob as mesmas ponderações, o indicado foi José Benjamim Ribas de Ávila; para 1950, em razão da sede necessitar reformas e alterações, pré estabeleceu-se o retorno de  Alberto Pinto de Carvalho, convencionando-se, que ao término dessa gestão assumiria a presidência em 1951, o prestimoso e dedicado, Raúl Celestino de Toledo Soares.

Durante baile de réveillon, apresentando as tradicionais festividades na sede pela passagem do ano, após a orquestra executar o Hino Nacional, o orador oficial enfatizou o significado da data, realizações ocorridas durante a gestão e dentre outras coisas, conclamou para que todos se fizessem presentes à próxima eleição que o elegeria no sábado, 19 de janeiro de 1951.
Mas o destino foi fatal para esse festejado consócio.

Exatamente dez dias antes, na quarta feira, nove de janeiro, após subir as escadarias do “Velho Cultura”, ao atingir o primeiro piso foi vitimado por terrível derrame cerebral, que teve funestas conseqüências, pois gerou seu falecimento no dia seguinte em um dos hospitais da cidade.

Esse inexorável e repentino infausto abalou intensamente o seio da sociedade campineira e fundamentalmente do clube, cuja trajetória administrativa teve de passar por alterações e adequações imediatas.

Argeu Pires Netto e Octávio Baldo dentre os diretores eram os mais cotados para assumirem imediatamente a presidência, e após discussões, ponderações e análises, a tradicionalista cúpula política, julgando que embora ambos estivessem aptos e preparados para exercerem o honroso cargo, deliberou optar por Argeu, considerando-o mais indicado, principalmente pela plena identificação com o continuísmo ascendente, e por sua heráldica descendência, pois era filho do ex – prefeito municipal, José Pires Netto, enquanto Octávio Baldo descendia de europeus, pai italiano e mãe austríaca.

Três anos depois, em seis de janeiro de 1954, ambos se candidataram oficialmente à presidência, disputando renhida e histórica eleição.

Nesse mesmo evento ocorreu a entronização de seu retrato a óleo, produzido pelo internacional artista plástico Aldo Cardarélli na Galeria dos Presidentes, descerrado pela viúva, Sra. Olga Galante de Toledo Soares, que ainda recebeu das mãos de  Argeu Pires Netto, os certificados de “Presidente de Honra” e de “Sócio Honorário”, outorgados ao finado dirigente, cujas qualidades e performances foram exaltadas, sob vibrantes orações dos inesquecíveis poetas, jornalistas, e então destacados oradores da cidade e do clube, Luso Ventura e Paranhos de Siqueira.

Seu filho, o estimado antigo consócio Raul Celestino de Toledo Soares Júnior, como o pai sempre gozou de imenso prestígio e afeto associado, sendo amigo constante de vários ex-presidentes, de diretores e muitos associados. Eleito Conselheiro Deliberativo por inúmeras gestões desempenhou o cargo com efetiva prestatividade e sapiência, sendo considerado prestimoso colaborador. Enquanto sua genitora a Sra. Olga Galante de Toledo Soares, viúva, que herdou a láurea de “Sócia Honorária”.

*-Esse grande reconhecimento da outorga do título de “Presidente de Honra”, anteriormente havia sido conferido apenas aos imortais e honoráveis ex-presidentes, Bento Quirino, Antônio Álvares Lôbbo e Antonio Joaquim Ribeiro Júnior, em razão de suas inesquecíveis, exemplares e prestimosas gestões.

OCTÁVIO BALDO

Desde criança freqüentou nossa primeira sede, e na juventude, através de dotes culturais, e competente oratória, destacou-se no clube, como líder juvenil, ao presidir com notoriedade, pelo modernismo adotado, o “Grêmio para a Juventude”. Versátil e vibrante promoveu atrações de destaque para a época, reunindo associados e alunos da Escola Normal em matinês, saraus bailantes, eventos de oratória, poesia, canto, teatro, quermesses, piqueniques e atividades cívicas.

Em 1934, já professor estadual, eminente conferencista e orador, convidado pelo presidente Antônio Joaquim Ribeiro Júnior a propagar as causas propugnadas pelo clube e pela cidade, tornou-se orador oficial, destacando-se com magnífico desempenho, que culminou quando proferiu marcante saudação ao Presidente da República Getúlio Vargas, em visita a Campinas.
Durante os anos 40, até 1955, promoveu e atuou em importantes eventos culturais, conferências, monografias e palestras sobre a vida e a obra dos mais consagrados autores da língua portuguesa nas dependências de nossa entidade, do Centro de Ciências, do Grêmio Luiz de Camões e em faculdades e colégios locais.

Dotado de vasta cultura, autêntica lhaneza e virtudes excelsas que lhe proporcionaram evidência e muitas amizades, foi assíduo freqüentador da sede e efetivo colaborador das gestões de 1934 a 1953, como primeiro secretário, orador e vice-presidente, respondendo interinamente pelo clube em vários períodos.
Responsável pelas áreas, social e cultural nesse último ano, empreendeu inolvidável programação, transformando a agremiação que teve esgotado o seu quadro de sócios (737), e se manteve de longe na hegemonia das sociedades campineiras.

Como empreendera em sua juventude, estendendo as realizações às normalistas, com a formação dos primeiros cursos da Unicamp, também produziu eventos, onde os universitários puderam participar, fato de muito agrado dos associados.  Assim, se tornaram intensas as atividades sociais e culturais dirigidas e produzidas por ele semanalmente, com maciça presença, às quartas feiras e domingos, das 21 às 24 horas, com música ao vivo de “Arnoldo Musical”, “Conjunto 707” e das principais orquestras campineiras, “Acadêmica de Birico” e “Julinho e sua Orquestra”.
A ativa participação social no clube se tornou tamanha nesse período, que   produziu três shows no saudoso Teatro Municipal –por serem as acomodações da sede insuficientes- quando se apresentaram com grande sucesso, os cantores nacionais mais requisitados da época, Nora Ney, Nelson Gonçalves e Jorge Goulart.

Após ativos e memoráveis desempenhos desenvolvidos desde sua juventude, ávido por melhorias e modernizações, como profundo conhecedor do clube considerava as administrações lideradas pela gerontocracia, arcaicas e ultrapassadas, pois desde a fundação, todas as diretorias haviam sido eleitas pelas antecessoras e com a mesma forma de administrar, se mantinham no poder enquanto pretendessem.
Em 1953, sentindo que as gestões posteriores não seriam alteradas, visando ampla renovação para ultrapassar utopias retrógradas continuístas, promoveu reuniões com liderança e habilidade, propondo, segmentos de modernização administrativa, construção imediata de sede própria e novo Estatuto Social, que impediria o continuísmo instalado ininterruptamente há 96 anos. Diante de tentativas vãs e infrutíferas e pela impossibilidade de prosseguir o diálogo, visando medidas reformistas que julgava improrrogáveis, repleto de moral e idealismo, contando com enorme apoio de consócios, que além de pensarem da mesma forma ainda o pretendiam na presidência, conflagrou a formação da primeira chapa completa de oposição, para as eleições de janeiro de 1954. Até então, oficial e coletivamente, além da chapa situacionista ninguém se candidatara. Nas eleições, jamais uma oposição se manifestara expressamente. Somente situacionistas eram eleitos, e eventual e timidamente, chegaram a existir dois nomes para um mesmo cargo.

A apresentação dessa intrépida e irrevocável primeira chapa opositora foi considerada ofensiva às tradições do clube, principalmente pelos mais idosos quando liam impressos, contendo planejamentos gestores e nomes de ex-diretores, postulando os sete cargos que compunham a diretoria: Octávio Baldo –presidente; Celso Anderson Vieira – vice-presidente; Orlando Santucci –1º tesoureiro; Antonio Carlos Amaral -2º tesoureiro; Durvalino Walter –1º secretário; João Pessini –2º secretário; e Luso Ventura –orador. Enquanto Argeu Pires Netto encabeçaria a chapa da situação, contando com o ex-presidente Benjamin Riibas Dávila para vice.

Após renhida eleição, pela diferença de três votos essa primeira e histórica chapa de oposição saiu derrotada neste isodinâmico pleito eleitoral, mas sua significativa e marcante existência constituiu-se num vitorioso e pujante marco de democracia e civismo nos anais da nossa história. Seus efeitos foram tão benéficos, que geraram ampla e imediata transformação no clube, inclusive a construção da sede própria, e abertura para novos diretores. A inovadora e importante proposta da oposição passou a ser cumprida pelos vencedores, e três dos intrépidos opositores foram eleitos (dois tesoureiros e orador), constando seus nomes na placa inaugural da Sede Social. Argeu presidente eleito pela situação nesse memorável pleito de 1954 iniciou a construção e inaugurou a Sede Social, mas pela inexecução da reforma estatutária proposta, pode permanecer no cargo por mais 25 anos, até 1979.

Somente em 1985 -128 após a fundação- que a oposição conseguiu vencer uma eleição, através do indelével movimento “Chapa União”, encabeçado pelo filho  desse prestante, operoso e inovador, importante vulto de nossa história.

Saudosa e meritoriamente teve seu nome outorgado a eventos culturais e esportivos, quando seus préstimos por várias décadas e acendrado amor pelo   C.S.C.A. foram exaltados e reconhecidos, nas gestões dos  presidentes Roberto A. Barbosa (1962), Décio Rovere (1979/83), e principalmente, de Istamir Serafim (1983/85) e José Moacyr Valente Nascimento (1985/87), que como antigos associados, quando jovens testemunharam e desfrutaram de seus marcantes feitos.
A municipalidade também lhe tributou inúmeras homenagens, e após seu passamento, nesta cidade em 28 de abril de 1983 -quando muitos associados num preito de reconhecimento o conduziram à última morada- outorgou seu nome a uma via pública, “pelos relevantes e exemplares serviços prestados a Campinas”.
Foi casado com Da. Rosária Serra Baldo, cujas bodas ocorreram na Igreja do Carmo e festejadas com solene banquete no “Velho Cultura”, e deste enlace matrimonial nasceram os filhos Élide Yara e Adelino Antônio.

Durante festividades pelo sesquicentenário da associação foi homenageado pela Diretoria Executiva presidida por Ronald Tanimoto com construção e inauguração de uma Galeria de Artes na Sede Social, e outorga de seu nome à mesma com entronização de seu retrato a óleo no local, mediante presença de grande número de consócios.