SEDES

Solar do Visconde de Indaiatuba já abrigou a Sede Social

Construído nos idos de 1800, oaristocrático imóvel apresentado na foto, pertenceu ao Visconde de Indaiatuba, Sr. Joaquim Bonifácio do Amaral. Desde sua inauguração, foi denominado pelos campineiros, “Solar das Andorinhas”, por ter sido o local preferido por elas, quando imortalizaram a cidade como “Terra das Andorinhas”, posteriormente foi chamado “Solar do Visconde” e por último, “Velho Cultura”.

Constituiu-se no segundo edifício de maior importância e projeção, dentre os tombados desta cidade e assim foi por último cognominado, em razão de ter sido ocupado pelo clube por trinta e três anos.

Desde janeiro de 1926, o Clube Semanal de Cultura Artística esteve instalado no piso superior deste solário, na Rua Barão de Jaguara, esquina com a Rua General Osório, onde encontra-se hoje -apenas em andar térreo- funcionando o Bingo do Visconde.

Os presidentes da república, Campos Salles, Washington Luiz, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitchek e Jango Goulart, os governadores, Adhemar de Barros, Carvalho Pinto e Leonel Brizola, e os ministros, Gal. Juarez Távora e Brigadeiro Eduardo Gomes, além de outros vultos importantes da história política, como, Ruy Barbosa, Santos Dumont, e artística internacional, como, Glen Ford, Cesar Romero, Sarita Montiel, Charles Trenet, Jean Sablon, Tito Schipa, Carlos Ramirez, Gregório Barrios, e nacional, Estelinha Epstein, Guiomar Novais, Francisco Alves, Vicente Celestino, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Dorival Caymi, Nelson Gonçalvez e muitos outros…

Durante todas essas décadas de permanência nesse local, nossa agremiação foi considerada a principal e de maior projeção da cidade, especialmente no tocante a suas realizações sociais e culturais, dos seletos componentes de seu quadro associativo, e principalmente, de seus esmerados diretores e notáveis presidentes. Todos eles mantiveram a tradição, desde sua fundação, em realizar eventos semanais -daí a origem de seu nome Clube , Semanal – além de suas tradicionais festas e bailes anuais: Junino, Primavera, Aniversário do Clube, Carnaval, Aleluia, Sete de Setembro e Réveillon, infalivelmente, todos domingos, a partir das vinte e uma horas até meia noite, durante mais de trinta anos consecutivos, foram realizadas as tradicionalíssimas “dançantes”. Foram elas de tanto sucesso, a ponto de quase semanalmente lotarem as dependências do salão de festas e de terem sido musicadas, por quase todo esse período, pelas duas mais famosas orquestras campineiras do tempo das “big bands”, para dançar e ouvir, “Julinho e Sua Grande Orquestra” e “Grande Orquestra de Birico”, antes, nos idos 40, “Birico e sua Orquestra Acadêmica”, ambas possuidoras de excelentes “crooners”, muito citados até hoje, como, Gentil Barbosa, Cláudio Hins, Pedrinho Catuso, José Carlos Siqueira, Valter Hins, Luíz Lente . . . e músicos inesquecíveis, destacando-se dentre eles, os maestros Julinho e Birico, o maestro e pianista Fausto Massaini, o clarinetista Ney Americano, Marcílio e Diógenes, que atuavam em trombones, Boya, no pistão, Gusmindo, na bateria, Ermelindo Chinaglia “Russo”, no pandeiro, Souza, no violino, Balthazar, no saxofone, Nicola Paccélli, no piano…

Nossas Sedes Sociais

Nossa centenária sociedade, durante toda sua existência, apenas esteve instalada em quatro sedes. A primeira, que pertenceu aos seus associados adquirentes de 535 ações, emitidas pelo Governo da Província do Estado.

A segunda, por iniciativa do futuro prefeito Raphael de Andrade Duarte, e outros, que promoveram fusão entre o Clube Semanal e o Grêmio de Cultura Artística, quando este último era locatário da Casa “Livro Azul”, onde o clube permaneceu instalado por poucos anos.

A terceira, foi o casario do “Velho Cultura”, locado dos descendentes do Visconde de Indaiatuba, onde o clube esteve trinta e três anos.

A última, se constitui na quarta e atual sede, que foi projetada e construída nos pisos superiores de uma galeria de lojas, e que somente passou a pertencer inteiramente ao Clube Semala de Cultura Artística, após aquisição em 1988, de todos espaços térreos, que ainda não lhe pertenciam.

Assim conclui-se, que somente nesta referida data, que o clube possuiu pela primeira vez, integralmente, uma sede própria.

O local escolhido para tanto, foi à Rua Regente Feijó, esquina com Barreto Leme -hoje nº 1.455- mediante autorização do Governo da Província de São Paulo, quando foram emitidas 535 ações, no valor de 50$000 cada, para ser erigida, a primeira sede social, aquela, que seria a primeira de um clube no país.

Sua inauguração ocorreu 3 anos após o início das obras, depois de suplantados intensos e árduos trabalhos, e financiamentos, em 1º de janeiro de 1873. Esta primeira sede social, funcionou efetivamente até os idos de 23 de abril de 1916. Após haver sido submetida a várias reformas, interiores e exteriores, suas precárias instalações deixaram de atender ao fim que se destinara, tornando-se ultrapassada, para o número de associados que o clube já possuía, mas atendeu os consócios com eventos programados até 1925, quando seus sócios proprietários acionistas, locaram o imóvel e na seqüência o venderam, para a “Organizacione Nazionale Dopo Lavoro”, entidade local, que abrigava membros e descendentes de famílias italianas. Esta, com a chegada da segunda guerra mundial, passou a chamar-se Organização Nacional Desportiva.

Mesmo assim, a antiga sede do Clube Semanal, embora com recintos considerados ultrapassados, ainda continuou sendo utilizada, até 1925, quando foi cedida à já referida entidade que congregava italianos, aqui residentes.

Neste período de tempo, apesar das reuniões que semanalmente ocorriam nos dois locais mencionados, de arte, política, cultura e danças, concluiu-se, que os espaços utilizados eram reduzidos e arcaicos e que o recém formado, Clube Semanal de Cultura Artística necessitava urgentemente de outro local, que possibilitasse acolher diariamente seus associados, e possuísse amplos salões, para obter maior freqüência em suas festividades, pois a fusão das duas sociedades resultara inclusive no aumento do novo quadro associativo, e deveria se constituir, numa nova força social e recreativa, digna do povo campineiro.

Local escolhido foi o mais acertado

Existiram na época dois locais, para ser construída a sede. Ambos, como usava naquele tempo, sobre galerias de lojas. O primeiro deles, em princípio tido como exemplar, à Av. Francisco Glicério, 964, onde seria construído o ainda hoje Edifício Rio Branco, em pavimentos superiores da Galeria Rio Branco, e o segundo, situado à Rua Irmã Serafina, em frente ao jardim Carlos Gomes, também sobre uma galeria de lojas a ser construída, que em termos futuros e até nossos dias é considerado melhor, foi o local escolhido e deliberado pela assembléia geral de associados designada para tanto.

É onde se encontra a sede social, no mesmo endereço, que muitos anos antes, bem em frente às palmeiras imperiais do citado jardim, existira o Cine Theatro Colyseu.

Todo planejamento e as obras foram executados através da mais importante empresa campineira do ramo na época, Construtora Ribeiro Novaes, pertencente aos associados do clube, Ralfo Fonseca ribeiro e Ruy Helmestter Novaes -prefeito da cidade- e tendo como engenheiro responsável, o também associado, Noyr M. Rodriguez, que cumpriram o compromisso contratual de entregá-la acabada, dentro de 36 meses, após ser iniciada.

Apesar de alguns conservadores preferirem o endereço, para que a sede fosse construída na Av. Francisco Glicério, em razão de julgarem o local escolhido descentralizado, e um pouco distante, a maioria se regozijava, principalmente por entender que a nova sede seria própria, apesar de construída nos andares superiores de uma galeria de lojas, com entrada e saída para as ruas, Irmã Serafina e César Bierremback, e que o centro se expandiria rapidamente até lá.

Em nenhum momento porém, existiu dúvida, de que esta passaria a ser a principal sede de um clube na cidade – como de fato foi – e que fundamentalmente suas dependências comportariam excelentes e luxuosas acomodações, e um dia, poderiam pertencer inteiramente ao clube, se este, na seqüência, viesse adquirir todos espaços correspondentes ao piso térreo, edificado inteiramente, para abrigar lojas, nos dois lados da galeria e na parte externa, voltada para a rua César Bierremback.

Três momentos históricos na Sede de Campo

Abaixo apresentamos três momentos marcantes e dos mais importantes da história da Sede de Campo, cujas concretizações foram pretendidas e sonhadas pela família associada, desde os anos 60.

Assinatura do contrato para sua construção
A primeira das concretizações se deu em 28 de novembro de 1967, quando a Diretoria da época, presidida por Argeu Pires Netto contratava os serviços profissionais da Construtora Steimberg, de nossa cidade, para iniciação das obras da Sede de Campo.

Imediatamente após assinatura deste contrato foram empreendidas as obras de construção, do parque aquático, dos vestiários nos baixos do mesmo, das quadras externas de basquete, volei e futebol de salão, tênis e paredão de tênis,além do antigo restaurante. Foi o grande início daquele maravilhoso local.

Na foto aparecem da esquerda para a direita, em pé, os tesoureiros, Alfredo Duarte da Fonseca, Agostinho Campos Abreu, o segundo secretário, Alfredo Pompeu do Amaral, o assessor de imprensa, João Caetano Monteiro Filho e um funcionário da citada construtora; em baixo aparecem: os irmãos Steimberg, proprietários da empresa contratada, o presidente Argeu Pires Netto e um oficial do cartório responsável pelo contrato entre as partes.

Apresentação do local onde seria erigida
A segunda foto, registra um flagrante da Apresentação da Sede de Campo, quando foi oferecido pela diretoria presidida por Argeu Pires Netto, um churrasco completo, a todos componentes do quadro social, para que conhecessem o local, onde seria erigida a futura sede.

Nesta ocasião, compareceram mais de 1500 associados, que ficaram encantados, com o adiantamento das terraplenagens e as atividades desenvolvidas na iniciação das construções acima mencionadas.

Esta foto, data de seis meses após a primeira, pois o flagrante é de 18 de junho de 1968, e nela aparecem, da esquerda para a direita, as esposas dos diretores da época: Sras.Ines Cardarélli Pompeu Amaral, Ivone Ferreira Toledo, Idalina Duarte Fonseca, e ainda, Pedro Sérgio Toledo, Artur Curti, Laura Pires Netto, Argeu Pires Netto, Marino Falcão Lopes, Alfredo Duarte Fonseca e Elza Perches.

Argeu era o presidente; Pedro Sérgio, secretário; Alfredo Duarte, tesoureiro; e Marino Falcão, o orador.